A pergunta que nenhum estatista consegue responder

[Nota: O presente texto é a forma como decidi responder isso aqui.]

Eu tenho uma pergunta simples pros estatistas. Toda a filosofia dos caras é baseada na ideia de que o estado pode violar a propriedade privada porque “a democracia é o melhor sistema, exceto todos os outros”. E mais: segundo eles, se não fosse o estado violando propriedades através do uso unilateral da força, não seria possível a existência de uma sociedade pacífica. Isto é, uma sociedade pacífica depende de agressões para existir. A ideia é evidentemente estúpida, mas se utilizarmos certas frases (igualmente estúpidas), como “o homem é lobo do homem” ou “na prática são outros quinhentos”, pode ser que aparentemos ter alguma razão quando criticamos aqueles que fazem oposição a isso.

Imagine que estamos em uma distopia Izzy Nobrista: um lugar onde um grupo de pessoas obteve o monopólio legal do uso da força. O sistema de justiça é monopolizado por esse grupo, isto é, este é o grupo responsável por dar a cada um aquilo que lhe é devido (mesmo que pra isso ele precise confiscar indevidamente recursos daqueles que “protege”). Dado que é um monopólio legal sob determinada faixa territorial, nenhum outro grupo pode assumir essa função. Qualquer pessoa que tentasse estabelecer e participar voluntariamente de algo diferente seria barrada com o uso da força e qualquer concorrente aniquilado.

Você é habitante de uma fazenda humana democrática e patriota. Entretanto, por problemas da vida, um homem desenvolveu esquizofrenia, perdeu tudo o que tinha e acabou tornando-se um morador de rua. Certa noite, enquanto andava numa das ruas controladas pela máfia monopolista, jagunços com distintivos, teoricamente responsáveis pela proteção dele, decidem agredi-lo sem que ele tenha feito nada de errado. Eles não deram chance alguma de defesa ao senhor de 37 anos. Toda a ação ficou claramente registrada por câmeras de segurança e todos os habitantes ficaram sabendo do caso. Ele faleceu dias depois por não resistir aos ferimentos.

Revoltados, os outros habitantes começaram protestos contra a ação da máfia. Afinal, de acordo com as regras prescritas pela própria instituição da qual os criminosos fazem parte, eles não têm o direito de agredir uma pessoa inocente (ao menos não sem utilizar o vocabulário adequado, como chamar “roubo” de “imposto”, por exemplo). Sendo você um defensor da democracia, também achou isso inadmissível e exigiu que a máfia estatal punisse os próprios membros.

Finalmente, os jagunços foram levados aos tribunais para responderem por um tipo de crime que, aparentemente, a máfia monopolista ainda não permitia legalmente. Apesar das claras imagens, a “justiça” precisou de três anos para decretar a pena. E qual foi a pena? Nenhuma. Após três anos, os jagunços que espancaram o homem indefeso foram absolvidos. A Máfia Suprema decidiu que o uso de força contra um homem pacífico com problemas mentais era legítimo, mesmo que esse uso de força tenha consistido em quase 10 minutos de agressões contínuas.

Você, sujeito íntegro e defensor da democracia, certamente não gostou da decisão. Entretanto, hoje, graças ao aparato coercitivo (que você defende) estabelecido no território em que você reside, esses jagunços vivem às suas custas e estão livres para cometer outros crimes. E aí fica a pergunta:

Como você garante que o estado fará justiça nessas situações?

Você vai para a rua protestar com mais alguns defensores da democracia. Alguns são presos. Outros, como você, esquecem-se rapidamente das constantes injustiças cometidas através do sistema que você defende e vão para a internet escrever textos estúpidos e trollagens direcionadas aos que propõem um sistema diferente.

Seja como for, no estatismo, a injustiça não é uma mera suposição.
A injustiça está amparada na lei.

A pergunta que nenhum estatista consegue responder